Como minha pesquisa é sobre mercado de trabalho odontológico, uma das coisas que fiz foi estudar o caso de uma grande rede de clínicas odontológicas que solicitou auto-falência recentemente. Embora muito se tenha falado sobre o prejuízo que diversos consumidores tiveram, meu olhar recaiu sobre a relação desta empresa com os dentistas que lá trabalhavam.
Já tinha fechado o capítulo sobre a empresa quando foi ao ar uma matéria no Fantástico enfocando o assunto. Isto causou uma repercussão imediata no Twitter. Tive o estalo de capturar e analisar os tweets sobre o tema. Era algo despretensioso, mas acabou rendendo um trabalho que será apresentado no V Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, da ABRASCO. Quem quiser ver o resumo, ele está aqui. E quem estiver no congresso e quiser assistir a apresentação, estarei às 13:30 do dia 19 de abril no GT 12.
Porque, como diria o velhinho barbudo, os dentistas fazem sua história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente...
29 março 2011
18 fevereiro 2011
Gênero e Odontologia
Em tópico anterior, havia comentado sobre a satisfação que tive ao ler Sobre astrônomas alemãs e odontólogas no Brasil Central, de Ana Liési Thurler e Lourdes Bandeira. Acabei encontrando Ana Liési no Twitter. Ela me enviou o relatório da pesquisa A construção de gênero no campo da saúde: estudo d@as profissionais de Odontologia no Distrito Federal, de Lourdes Bandeira, Jorge Alberto Cordón, Anália Soria Batista e Ana Liési Thurler.
É muito bom ver exemplos de articulação entre as Ciências Sociais e a Odontologia. Existe cada tema que daria investigações interessantes... É o caso dessa pesquisa em particular. Já pararam pra pensar que não basta o aumento do número de dentistas mulheres para eliminar as desigualdades entre mulheres e homens - seja na Odontologia ou fora dela? Um trecho do relatório é bastante revelador:
A_construcao_de_genero_no_campo_da_saude_-_estudo_d@s_profissionais_de_odontologia_no_DF[1][1]
É muito bom ver exemplos de articulação entre as Ciências Sociais e a Odontologia. Existe cada tema que daria investigações interessantes... É o caso dessa pesquisa em particular. Já pararam pra pensar que não basta o aumento do número de dentistas mulheres para eliminar as desigualdades entre mulheres e homens - seja na Odontologia ou fora dela? Um trecho do relatório é bastante revelador:
A feminização dos cursos de Odontologia se realizou nas últimas décadas do século XX, mas as trajetórias profissionais permanecem sexuadas. A repartição sexuada do trabalho significa processos de profissionalização diferenciados para homens e para mulheres. As mulheres ingressaram na profissão, se tornaram maioria nos cursos de Odontologia, mas não alcançaram os níveis da hierarquia detentores de maior prestígio, status e valorização material.Quer ler mais? A íntegra do relatório segue abaixo:
A_construcao_de_genero_no_campo_da_saude_-_estudo_d@s_profissionais_de_odontologia_no_DF[1][1]
09 fevereiro 2011
Feminização da Odontologia
Quem fizer uma busca por artigos que tratem da feminização da Odontologia encontrará um razoável número de pesquisas. Contudo, a maior parte se limita a constatar o aumento do número de dentistas mulheres: faltam reflexões mais cuidadosas sobre o assunto.
É por isso que fiquei feliz ao descobrir o paper Sobre astrônomas alemãs e odontólogas no Brasil Central, de Ana Liési Thurler e Lourdes Bandeira. Bastante conciso, traz elementos que outros autores não conseguem enxergar: sob o discurso que formalmente nega a existência de desigualdade entre homens e mulheres esconde-se uma naturalização dos papéis sexuais. Afinal, como perguntam as autoras: A quem cabe conciliar vida profissional e vida familiar?
Recomendo enfaticamente a leitura do material e acompanharei as autoras em suas próximas publicações.
Thurler 2008 Sobre astrônomas alemãs e odontólogas no Brasil Central
THURLER, Ana Liési ; BANDEIRA, Lourdes . Sobre Astrônomas Alemãs e Odontólogas no Brasil Central. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero 8: Corpo, Violência e Poder, 2008, Florianópolis (SC). Seminário Internacional, 2008.
É por isso que fiquei feliz ao descobrir o paper Sobre astrônomas alemãs e odontólogas no Brasil Central, de Ana Liési Thurler e Lourdes Bandeira. Bastante conciso, traz elementos que outros autores não conseguem enxergar: sob o discurso que formalmente nega a existência de desigualdade entre homens e mulheres esconde-se uma naturalização dos papéis sexuais. Afinal, como perguntam as autoras: A quem cabe conciliar vida profissional e vida familiar?Recomendo enfaticamente a leitura do material e acompanharei as autoras em suas próximas publicações.
Thurler 2008 Sobre astrônomas alemãs e odontólogas no Brasil Central
THURLER, Ana Liési ; BANDEIRA, Lourdes . Sobre Astrônomas Alemãs e Odontólogas no Brasil Central. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero 8: Corpo, Violência e Poder, 2008, Florianópolis (SC). Seminário Internacional, 2008.
06 janeiro 2011
Procurando dados sobre o PSF?
Essa dica vai para quem busca dados sobre a implantação da estratégia Saúde da Família.
No link é possível escolher o tipo de informação, os recortes temporal e espacial que desejamos obter:
Para facilitar o trabalho, os dados tanto podem ser visualizados no navegador como ser baixados em diversos formatos. Optando pelo formato xls, dá para utilizar as planilhas eletrônicas mais comuns:
E, antes tarde do que nunca: feliz 2011!
.
No link é possível escolher o tipo de informação, os recortes temporal e espacial que desejamos obter:
Para facilitar o trabalho, os dados tanto podem ser visualizados no navegador como ser baixados em diversos formatos. Optando pelo formato xls, dá para utilizar as planilhas eletrônicas mais comuns:
E, antes tarde do que nunca: feliz 2011!
.
02 dezembro 2010
Dificuldades com as referências? Use o MORE!
Essa dica vai especialmente para os alunos de Ciências Sociais aplicadas à Odontologia, mas certamente servirá para muitas pessoas.
Uma forma rápida, gratuita e muito fácil de gerar referências no formato ABNT é usar o MORE - Mecanismo Online para Referências, uma ferramenta disponibilizada pela UFSC. Basta escolher o tipo de documento, preencher os campos e apertar um botão.
Os slides a seguir mostram como funciona. Aperte "fullscreen" para visualizar melhor.
Tutorial do MORE Mecanismo Online para Referências
Uma forma rápida, gratuita e muito fácil de gerar referências no formato ABNT é usar o MORE - Mecanismo Online para Referências, uma ferramenta disponibilizada pela UFSC. Basta escolher o tipo de documento, preencher os campos e apertar um botão.
Os slides a seguir mostram como funciona. Aperte "fullscreen" para visualizar melhor.
Tutorial do MORE Mecanismo Online para Referências
29 novembro 2010
Mini Curso Ética em Pesquisa Humanas e Saúde
Recebi este convite e acho que pode interessar a quem mora em Salvador
Mini Curso Ética em Pesquisa Humanas e Saúde
6 e 7/12
Prof.a Dr.a Maria Helena Villas Boas Concone
Infromações 71-3283-6456
26 novembro 2010
A insana fase de campo da pesquisa – dicas que aprendi
Tem coisas sobre a fase de campo que ninguém revela no capítulo de metodologia da tese. Pensei que valeria à pena compartilhar no blog, já que não vai sair publicado em lugar nenhum.
Antes, para esclarecer: na minha pesquisa predomina a abordagem qualitativa, mas também utilizei muitos dados quantitativos secundários, da ANS, do CFO e do que mais pude encontrar. Tem algo de pesquisa documental, um rastreamento de notícias da imprensa na internet. E tem também entrevistas com doze dentistas. Tudo isto me manteve afastada deste blog nos últimos meses.
Sobre as entrevistas, há que se considerar a Lei de Murphy. Para me precaver, sempre levava dois aparelhos de gravação, além de anotar algumas informações em papel mesmo, no momento da entrevista. Isto me salvou várias vezes: não raro um aparelho dava defeito ou ficava com o som ruim. Anotem aí futuros e atuais pesquisadores: dois aparelhos sempre, mesmo que um deles seja um mp3 bem surrado.
Registrar alguns elementos durante a entrevista ajuda a manter o foco no entrevistado e evitar perguntas repetidas e incoerentes. Afinal, fazer uma entrevista é diferente de uma conversa informal. Não dá para supor que nas entrelinhas o informante está querendo dizer isto ou aquilo. Tem que perguntar: “você quis dizer isto?” ou “o que você quer dizer com tal palavra?”. Isto faz nos parecer meio idiotas, mas é um preço a pagar para não colocar palavras indevidas na boca do entrevistado.
Com o tempo, começamos a construir hipóteses de trabalho. Sei que muitos pesquisadores da área qualitativa vão sentir calafrios com a palavra hipótese. Entendam: não estou trabalhando com a ideia de refutabilidade de hipóteses. Mas é lógico que com o tempo começo a achar certas coisas sobre meu objeto e quero sabe se as coisas são mesmo assim. Por isso, gosto muito de expor tais “hipóteses”, ou o nome que queiram dar a isso, e perguntar se o entrevistado entende da mesma forma, se acha que é diferente. Isso ajuda a entender melhor a lógica dos processos, não tenham dúvida.
Uma dica preciosa para pesquisa: conheçam o Express Scribe. Mesmo que não sejam vocês mesmos a fazer a transcrição, é legal apresentar este programa maravilhoso para quem vai executar esta tarefa inglória. Economiza muito tempo nesta fase, é essencial.
Quando os manuais de metodologia falam que vem a fase de impregnação pelas entrevistas, eles não estão brincando: trata-se de impregnar mesmo. Revisar (quando outra pessoa transcreveu), imprimir, ler, reler, rabiscar, voltar a rabiscar e decorar o que está dito ali. As doze entrevistas que fiz moram hoje na minha cabeça. Não importa se depois vocês usem o N-Vivo ou Weft-QDA para sistematizar o material: nada substitui o ser humano por trás de tudo. Tive uma professora de metodologia no mestrado que era contra a utilização destes softwares. Dizia que era um erro chamá-los de programa de análise (no que está certa), e que o máximo que fazem é economizar três semanas de trabalho. Mas eu pergunto: quem não quer poupar três semanas de trabalho?
Todos já devem saber, mas nunca é demais repetir: diário de campo não é só pra quem faz etnografia. Vocês têm que ter um caderno ou arquivo no computador (prefiro papel mesmo, nasci no século XX) onde possam escrever tudo, qualquer ideia, por mais louca ou boba que seja. Um espaço para registrar sem censura tudo o que passa pela cabeça. A auto-censura vem depois. A tesoura do rigor metodológico vem depois.
Esta tem sido minha rotina nos últimos meses. Há momentos de cansaço, mas também outros de enorme satisfação. E eu estava precisando escrever um pouco sobre isso.
P.S.:
Um agradecimento especial a Leonardo, que ajudou na hercúlea tarefa de transcrição. Precisando, falem com ele. Lá no comecinho da jornada, quem me ajudou foi Monique, mas ela não está mais trabalhando com transcrições.
P.S. 2:
Aqui encontram algum artigos sobre metodologia qualitativa em saúde.
Antes, para esclarecer: na minha pesquisa predomina a abordagem qualitativa, mas também utilizei muitos dados quantitativos secundários, da ANS, do CFO e do que mais pude encontrar. Tem algo de pesquisa documental, um rastreamento de notícias da imprensa na internet. E tem também entrevistas com doze dentistas. Tudo isto me manteve afastada deste blog nos últimos meses.
Sobre as entrevistas, há que se considerar a Lei de Murphy. Para me precaver, sempre levava dois aparelhos de gravação, além de anotar algumas informações em papel mesmo, no momento da entrevista. Isto me salvou várias vezes: não raro um aparelho dava defeito ou ficava com o som ruim. Anotem aí futuros e atuais pesquisadores: dois aparelhos sempre, mesmo que um deles seja um mp3 bem surrado. Registrar alguns elementos durante a entrevista ajuda a manter o foco no entrevistado e evitar perguntas repetidas e incoerentes. Afinal, fazer uma entrevista é diferente de uma conversa informal. Não dá para supor que nas entrelinhas o informante está querendo dizer isto ou aquilo. Tem que perguntar: “você quis dizer isto?” ou “o que você quer dizer com tal palavra?”. Isto faz nos parecer meio idiotas, mas é um preço a pagar para não colocar palavras indevidas na boca do entrevistado.
Com o tempo, começamos a construir hipóteses de trabalho. Sei que muitos pesquisadores da área qualitativa vão sentir calafrios com a palavra hipótese. Entendam: não estou trabalhando com a ideia de refutabilidade de hipóteses. Mas é lógico que com o tempo começo a achar certas coisas sobre meu objeto e quero sabe se as coisas são mesmo assim. Por isso, gosto muito de expor tais “hipóteses”, ou o nome que queiram dar a isso, e perguntar se o entrevistado entende da mesma forma, se acha que é diferente. Isso ajuda a entender melhor a lógica dos processos, não tenham dúvida.
Uma dica preciosa para pesquisa: conheçam o Express Scribe. Mesmo que não sejam vocês mesmos a fazer a transcrição, é legal apresentar este programa maravilhoso para quem vai executar esta tarefa inglória. Economiza muito tempo nesta fase, é essencial.
Quando os manuais de metodologia falam que vem a fase de impregnação pelas entrevistas, eles não estão brincando: trata-se de impregnar mesmo. Revisar (quando outra pessoa transcreveu), imprimir, ler, reler, rabiscar, voltar a rabiscar e decorar o que está dito ali. As doze entrevistas que fiz moram hoje na minha cabeça. Não importa se depois vocês usem o N-Vivo ou Weft-QDA para sistematizar o material: nada substitui o ser humano por trás de tudo. Tive uma professora de metodologia no mestrado que era contra a utilização destes softwares. Dizia que era um erro chamá-los de programa de análise (no que está certa), e que o máximo que fazem é economizar três semanas de trabalho. Mas eu pergunto: quem não quer poupar três semanas de trabalho?
Todos já devem saber, mas nunca é demais repetir: diário de campo não é só pra quem faz etnografia. Vocês têm que ter um caderno ou arquivo no computador (prefiro papel mesmo, nasci no século XX) onde possam escrever tudo, qualquer ideia, por mais louca ou boba que seja. Um espaço para registrar sem censura tudo o que passa pela cabeça. A auto-censura vem depois. A tesoura do rigor metodológico vem depois.
Esta tem sido minha rotina nos últimos meses. Há momentos de cansaço, mas também outros de enorme satisfação. E eu estava precisando escrever um pouco sobre isso.
P.S.:
Um agradecimento especial a Leonardo, que ajudou na hercúlea tarefa de transcrição. Precisando, falem com ele. Lá no comecinho da jornada, quem me ajudou foi Monique, mas ela não está mais trabalhando com transcrições.
P.S. 2:
Aqui encontram algum artigos sobre metodologia qualitativa em saúde.
22 setembro 2010
Informações da disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva III
Segue o material de algumas aulas, caso haja dificuldade em localizá-lo no Moodle.
23/08- Contexto atual da prática odontológica
Aquecimento: leitura e discussão de notícias relacionadas ao tema
Exposição dialogada - Slides disponíveis aqui
Texto de referência aqui.
Leituras complementares aqui.
13/09- Equipe de saúde bucal e práticas em Odontologia
Exposição dialogada - Slides disponíveis aqui.
Mais uma rápida fuga ao tema: precisamos escovar os dentes?
Eu outro post, já saí do assunto principal do blog para dar uma breve notícia sobre cremes dentais com baixo teor de flúor. Recentemente, uma matéria publicada em uma revista de grande circulação trazia o título "Não precisamos escovar os dentes - diz especialista". Sugiro uma visita ao blog do professor Cassius Torres, no qual ele sugere alguns "exercícios para desenvolver o espírito crítico".
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