Uma interessante matéria foi publicada recentemente no Diário do Comércio e Indústria & Serviços. A matéria adverte que as exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar estariam dificultando o crescimento de planos odontológicos. Ora, conforme já tinha comentado em post anterior, os dados apontam exatamente o contrário. Em meio à recessão por que passa o país, ao aumento do desemprego, à diminuição do número de beneficiários de planos de assistência médica, se há um setor que não pode se queixar é a Odontologia Suplementar, que no período de setembro de 2014 a setembro de 2015 cresceu 5%.
E é bastante curiosa essa queixa em relação ao excesso de exigências. Vamos lembrar, embora a ANS estabeleça os índices de reajustes anuais para planos de assistência médica individuais, isto não se aplica para planos odontológicos. Ou seja, é um pouco contraditório ou mesmo desnecessário fazer uma cruzada contra a "ideia equivocada que o brasileiro tem de que o controle de preços acaba com os problemas". A liberdade de reajuste das mensalidades de planos odontológicos já está garantida - e aliás, fala-se muito pouco sobre ela.
A demanda que realmente me chamou a atenção foi a " inclusão de instrumentos que facilitem o compartilhamento de serviços e/ou a consolidação por meio de fusões e aquisições." Hum. Ou seja, reivindica-se a facilidade de concentrar ainda mais um setor cujas duas maiores empresas respondem juntas por 40% do mercado.
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Porque, como diria o velhinho barbudo, os dentistas fazem sua história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente...
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03 maio 2016
04 fevereiro 2015
Planos odontológicos x planos médicos: qual o setor mais concentrado?
O setor de planos odontológicos se torna mais concentrado a cada dia. Já havia comentado sobre isso em outros posts do blog. Mas este setor é mais ou menos concentrado do que o de planos médicos? A resposta pode ser obtida usando os dados disponibilizados pela ANS.
As operadoras de planos de assistência médica atendem mais de 50 milhões de usuários. A maior delas representa 7,9% deste mercado. As três maiores cobrem juntas 18,5%. Parece muito?
As operadoras de planos exclusivamente odontológicos atendem mais de 21 milhões de usuários. A maior dela representa sozinha 31% do mercado. As três maiores cobrem juntas 45,5%.
"Segundo o Guia de Análise Econômica de Atos de Concentração Horizontal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê), um mercado é concentrado quando a maior empresa detém mais de 20% do faturamento ou quando esse percentual é acima de 75% para as quatro maiores empresas".Há algo acontecendo nesse setor que merece atenção...
PIETROBON, Louise; PRADO, Martha Lenise do and CAETANO, João Carlos. Saúde suplementar no Brasil: o papel da Agência Nacional de Saúde Suplementar na regulação do setor. Physis [online]. 2008, vol.18, n.4, pp. 767-783. ISSN 0103-7331.
Crédito da imagem: UNIMED
Crédito da imagem: UNIMED
29 janeiro 2015
Quatro centavos a mais
Hoje descobri uma publicação da ANS muito interessante: o Mapa Assistencial, que apresenta dados econômico-financeiros anuais por operadoras de planos de saúde. A edição de 2014 pode ser baixada aqui.
Um dado interessante que pode ser obtido nessa publicação:
No segundo semestre de 2012, foram realizadas 4.368.079 consultas odontológicas iniciais no setor de saúde suplementar. Por estes procedimentos as operadoras de planos desembolsaram R$ 54.339.479,34. Isto significa dizer que foi pago em média R$ 12,44 por consulta inicial.
No segundo semestre de 2013, foram realizadas 6.054.125 consultas odontológicas, resultando em uma despesa de R$75.557.788,59. Significa dizer que, passado um ano, a média do valor pago por consulta inicial foi R$ 12,48. Quatro centavos a mais. A variação do IPCA de dezembro de 2012 a dezembro de 2013 foi 5,8%. Ou seja, o valor, se reajustado por esse índice, seria R$13,16. Que continua sendo muito baixo.
Só para lembrar, em 2013, a Odontologia suplementar ultrapassou o marco de 20 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Um dado interessante que pode ser obtido nessa publicação:
No segundo semestre de 2012, foram realizadas 4.368.079 consultas odontológicas iniciais no setor de saúde suplementar. Por estes procedimentos as operadoras de planos desembolsaram R$ 54.339.479,34. Isto significa dizer que foi pago em média R$ 12,44 por consulta inicial.
No segundo semestre de 2013, foram realizadas 6.054.125 consultas odontológicas, resultando em uma despesa de R$75.557.788,59. Significa dizer que, passado um ano, a média do valor pago por consulta inicial foi R$ 12,48. Quatro centavos a mais. A variação do IPCA de dezembro de 2012 a dezembro de 2013 foi 5,8%. Ou seja, o valor, se reajustado por esse índice, seria R$13,16. Que continua sendo muito baixo.
Só para lembrar, em 2013, a Odontologia suplementar ultrapassou o marco de 20 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
06 fevereiro 2013
Aumenta a concentração no setor de planos odontológicos
Eu já tinha comentado em post anterior sobre a tendência de concentração do setor de planos exclusivamente odontológicos. Na época, o que me chamou a atenção é que, mesmo os números oficiais da ANS apontando esta tendência, continuava-se falando em "mercado altamente competitivo". Ok, o índice que mede a concentração no setor econômico (Herfindahl-Hirschman Index - HHI) apontava isto, mas o movimento de concentração era evidente.
Hoje eu estava mais uma vez fazendo pesquisas na página da ANS e encontrei a última edição da Foco Saúde Suplementar - que é de dezembro de 2012. Aqui não há meias palavras: afirma-se que a concentração no segmento de operadoras exclusivamente odontológicas aumentou. O HHI, que já foi de 3,1 em 2001 e chegou a 6,1 em 2009, atingiu a marca de 10,9 em 2012. Ou seja, já está na faixa denominada "moderadamente concentrado".
(Clique para aumentar)
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23 maio 2012
Tendência de concentração no setor de Odontologia Suplementar
A defesa da tese transcorreu bem e é possível baixá-la aqui. O acúmulo de tarefas tem me impedido de atualizar o blog com mais frequência. Continuo fazendo breves comunicados no Twitter e no Google+ (não costumo usar o Facebook).
Há algumas semanas, navegando pelo site da ANS, encontrei uma informação que me chamou a atenção pela primeira vez, apesar de que já devo ter topado com ela antes. Na publicação "ANS Informação", é afirmado que:
Já o mercado de operadoras exclusivamente odontológicas apresentava-se altamente competitivo em âmbito nacional e nas Regiões Nordeste, Sudeste e Sul, e moderadamente concentrado nas Regiões Centro-Oeste e Norte.
O que não é dado destaque é que o movimento é de aumento da concentração do mercado de planos privados exclusivamente odontológicos. Vejamos:
A publicação utiliza o indicador HHI e considera que quanto maior este valor, mais concentrado é o mercado (se o HHI for 100, existe monopólio). Pois bem, em 2001 o HHI nacional era 3,7 e em 2009 era 6,1. Ou seja, embora ainda seja considerado "altamente competitivo", a tendência não é de aumento da competitividade, mas de gradual concentração.
É uma pena que só tenha tomado conhecimento desta informação após o fechamento da tese, pois nela analiso o desenvolvimento do setor de Odontologia Suplementar. Discuto a concentração do setor através de outros dados, mas este certamente teria ajudado a fortalecer a argumentação.
Em tempo:
Amanhã estarei no I Congresso de Odontologia do Semiário Bahiano, na mesa A Politização do Cirurgião-Dentista como Estratégia de Mercado.
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