No primeiro trimestre de 2016 os planos exclusivamente odontológicos registraram a primeira queda do número de beneficiários, conforme é possível ver na tabela abaixo. É necessário clicar para ampliar!
Impressiona que, ao longo dos últimos 4 trimestres, a oscilação é positiva: foram 230 mil novos vínculos criados. Mas somente no último trimestre 274 mil vínculos foram perdidos.
O estudo por modalidade também pode ser útil. No período de 4 trimestres, as modalidades que mais sofreram foram as de autogestão, cooperativas médicas, filantropia e cooperativa odontológica. No último semestre a modalidade a registrar maior perda foi a Odontologia de Grupo.
Resta saber como vai se dar a relação das operadoras com os dentistas credenciados nesse novo cenário. E de que forma os dentistas reagirão.
Porque, como diria o velhinho barbudo, os dentistas fazem sua história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente...
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16 maio 2016
03 maio 2016
O que demanda a Odontologia Suplementar?
Uma interessante matéria foi publicada recentemente no Diário do Comércio e Indústria & Serviços. A matéria adverte que as exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar estariam dificultando o crescimento de planos odontológicos. Ora, conforme já tinha comentado em post anterior, os dados apontam exatamente o contrário. Em meio à recessão por que passa o país, ao aumento do desemprego, à diminuição do número de beneficiários de planos de assistência médica, se há um setor que não pode se queixar é a Odontologia Suplementar, que no período de setembro de 2014 a setembro de 2015 cresceu 5%.
E é bastante curiosa essa queixa em relação ao excesso de exigências. Vamos lembrar, embora a ANS estabeleça os índices de reajustes anuais para planos de assistência médica individuais, isto não se aplica para planos odontológicos. Ou seja, é um pouco contraditório ou mesmo desnecessário fazer uma cruzada contra a "ideia equivocada que o brasileiro tem de que o controle de preços acaba com os problemas". A liberdade de reajuste das mensalidades de planos odontológicos já está garantida - e aliás, fala-se muito pouco sobre ela.
A demanda que realmente me chamou a atenção foi a " inclusão de instrumentos que facilitem o compartilhamento de serviços e/ou a consolidação por meio de fusões e aquisições." Hum. Ou seja, reivindica-se a facilidade de concentrar ainda mais um setor cujas duas maiores empresas respondem juntas por 40% do mercado.
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E é bastante curiosa essa queixa em relação ao excesso de exigências. Vamos lembrar, embora a ANS estabeleça os índices de reajustes anuais para planos de assistência médica individuais, isto não se aplica para planos odontológicos. Ou seja, é um pouco contraditório ou mesmo desnecessário fazer uma cruzada contra a "ideia equivocada que o brasileiro tem de que o controle de preços acaba com os problemas". A liberdade de reajuste das mensalidades de planos odontológicos já está garantida - e aliás, fala-se muito pouco sobre ela.
A demanda que realmente me chamou a atenção foi a " inclusão de instrumentos que facilitem o compartilhamento de serviços e/ou a consolidação por meio de fusões e aquisições." Hum. Ou seja, reivindica-se a facilidade de concentrar ainda mais um setor cujas duas maiores empresas respondem juntas por 40% do mercado.
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02 março 2016
Crise para quem?
A grave crise econômica que afeta o Brasil tem ocasionado a perda de muitos postos de trabalho. O Caderno de Informação da Saúde Suplementar de dezembro de 2015, publicado pela ANS, evidencia que o declínio do número de empregos formais tem resultado na diminuição de beneficiários de planos de assistência médica.
No entanto, a evolução do setor de planos odontológicos parece seguir alguma lógica muito diferente. No período de setembro de 2014 a setembro de 2015 o número de beneficiários de planos odontológicos aumentou em 5%! Veja abaixo:
As informações que saem na imprensa também confirmam a pujança do setor. Veja:
Essas são informações úteis na hora de negociar a Convenção Coletiva de Trabalho.
No entanto, a evolução do setor de planos odontológicos parece seguir alguma lógica muito diferente. No período de setembro de 2014 a setembro de 2015 o número de beneficiários de planos odontológicos aumentou em 5%! Veja abaixo:
As informações que saem na imprensa também confirmam a pujança do setor. Veja:
- Crise para quem? OdontoPrev espera ter o melhor ano de sua história em 2016
- SulAmérica reporta lucro recorde histórico de R$ 734,3 milhões e receita com seguros cresce 13,4%
Essas são informações úteis na hora de negociar a Convenção Coletiva de Trabalho.
Hoje à noite, na ABO!
Publicado por Sindiodonto Ceará em Quinta, 25 de fevereiro de 2016
Coordenação Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde: intrincadas relações público-privadas
Em novembro de 2015, a então coordenadora de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Rozângela Fernandes Camapum, foi inesperadamente substituída por Ademir Fratric Bacic. A decisão foi duramente criticada por entidades vinculadas à Saúde Coletiva, devido ao fato de o novo coordenador não ter uma trajetória profissional construída a partir do SUS: a posição que ocupara anteriormente tinha sido a de diretor da operadora de planos Odontológicos Prodent (link 1 ; link 2 ; link 3).
Estas são algumas notas públicas emitidas na ocasião:
A partir de dados públicos constantes no site da ANS é possível constatar que, em 2011, a Prodent tinha 324.058 beneficiários, correspondendo a 1,92% do total de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Em setembro de 2015, esta operadora tinha atingindo a marca de 506.361 beneficiários, saltando para 2,32% de participação no mercado.
Através de rastreamento da web realizado com a expressão "planos odontológicos" foi encontrada a notícia de fevereiro de 2016 sobre a celebração de um convênio entre a prefeitura de Embu das Artes e a Prodent, informando que a prefeitura iria subsidiar os planos odontológicos dos servidores concursados. Uma outra notícia mais antiga, de 2014, mencionava que os planos de saúde das operadoras Hapvida e Prodent seriam custeados pela prefeitura de Salvador, a um custo anual de R$ 48 milhões por ano.
E o que isto tem a ver com o SUS?
Lígia Bahia, no artigo "As contradições entre o SUS universal e as transferências de recursos públicos para os planos e seguros privados de saúde", publicado em 2008, chamou atenção para a existência de um aparato jurídico-legal que permite que recursos públicos sejam destinados ao financiamento de planos de saúde.
Isto ocorre de várias formas: quando o Estado brasileiro banca planos e seguros privados para servidores; quando paga por internações de clientes de planos de saúde , quando pessoas físicas e jurídicas recebem deduções nos impostos referentes aos gastos com Saúde Suplementar (fato conhecido como gasto tributário, já discutido neste blog).
Como exemplo, Lígia Bahia menciona que, no ano de 2005, aproximadamente 20% dos gastos com o financiamento dos planos e seguros de saúde provinham de fontes públicas. Só de financiamento de planos de saúde de servidores federais foram R$ 979.111,62 milhões.
Este financiamento dos planos privados pelo setor público se torna ainda mais grave em uma dramática situação de cortes orçamentários para a área da saúde já realizados em 2015 e novamente prometidos para 2016. Basta ver os valores listados abaixo:
Enquanto isso, a impressão é a de que os planos odontológicos passam incólumes à grave crise econômica. O Boletim da Saúde Suplementar publicado em setembro de de 2015 informa que os planos odontológicos cresceram 5% no período de um ano.
Assim, percebe-se que são tumultuadas as relações entre o público privado no SUS. Não apenas nele, esta é uma característica do Estado que se constrói a partir dos marcos da economia capitalista. É necessário fazer a crítica quando este embaralhamento atinge o subsetor da Saúde Bucal, mas é preciso ter em vista o problema em sua totalidade.
Estas são algumas notas públicas emitidas na ocasião:
- Nota Pública elaborada pelos ex-membros da Comissão de Assessoramento Técnico (CAT), da Coordenação Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde
- Troca de titulares da Coordenadoria Geral de Saúde Bucal preocupa Abeno
- Para onde vai o Brasil Sorridente: SUS ou mercado? (FIO)
A partir de dados públicos constantes no site da ANS é possível constatar que, em 2011, a Prodent tinha 324.058 beneficiários, correspondendo a 1,92% do total de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Em setembro de 2015, esta operadora tinha atingindo a marca de 506.361 beneficiários, saltando para 2,32% de participação no mercado.
Através de rastreamento da web realizado com a expressão "planos odontológicos" foi encontrada a notícia de fevereiro de 2016 sobre a celebração de um convênio entre a prefeitura de Embu das Artes e a Prodent, informando que a prefeitura iria subsidiar os planos odontológicos dos servidores concursados. Uma outra notícia mais antiga, de 2014, mencionava que os planos de saúde das operadoras Hapvida e Prodent seriam custeados pela prefeitura de Salvador, a um custo anual de R$ 48 milhões por ano.
E o que isto tem a ver com o SUS?
Lígia Bahia, no artigo "As contradições entre o SUS universal e as transferências de recursos públicos para os planos e seguros privados de saúde", publicado em 2008, chamou atenção para a existência de um aparato jurídico-legal que permite que recursos públicos sejam destinados ao financiamento de planos de saúde.
Isto ocorre de várias formas: quando o Estado brasileiro banca planos e seguros privados para servidores; quando paga por internações de clientes de planos de saúde , quando pessoas físicas e jurídicas recebem deduções nos impostos referentes aos gastos com Saúde Suplementar (fato conhecido como gasto tributário, já discutido neste blog).
Como exemplo, Lígia Bahia menciona que, no ano de 2005, aproximadamente 20% dos gastos com o financiamento dos planos e seguros de saúde provinham de fontes públicas. Só de financiamento de planos de saúde de servidores federais foram R$ 979.111,62 milhões.
Este financiamento dos planos privados pelo setor público se torna ainda mais grave em uma dramática situação de cortes orçamentários para a área da saúde já realizados em 2015 e novamente prometidos para 2016. Basta ver os valores listados abaixo:
Fonte: G1
Enquanto isso, a impressão é a de que os planos odontológicos passam incólumes à grave crise econômica. O Boletim da Saúde Suplementar publicado em setembro de de 2015 informa que os planos odontológicos cresceram 5% no período de um ano.
Assim, percebe-se que são tumultuadas as relações entre o público privado no SUS. Não apenas nele, esta é uma característica do Estado que se constrói a partir dos marcos da economia capitalista. É necessário fazer a crítica quando este embaralhamento atinge o subsetor da Saúde Bucal, mas é preciso ter em vista o problema em sua totalidade.
04 fevereiro 2015
Planos odontológicos x planos médicos: qual o setor mais concentrado?
O setor de planos odontológicos se torna mais concentrado a cada dia. Já havia comentado sobre isso em outros posts do blog. Mas este setor é mais ou menos concentrado do que o de planos médicos? A resposta pode ser obtida usando os dados disponibilizados pela ANS.
As operadoras de planos de assistência médica atendem mais de 50 milhões de usuários. A maior delas representa 7,9% deste mercado. As três maiores cobrem juntas 18,5%. Parece muito?
As operadoras de planos exclusivamente odontológicos atendem mais de 21 milhões de usuários. A maior dela representa sozinha 31% do mercado. As três maiores cobrem juntas 45,5%.
"Segundo o Guia de Análise Econômica de Atos de Concentração Horizontal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê), um mercado é concentrado quando a maior empresa detém mais de 20% do faturamento ou quando esse percentual é acima de 75% para as quatro maiores empresas".Há algo acontecendo nesse setor que merece atenção...
PIETROBON, Louise; PRADO, Martha Lenise do and CAETANO, João Carlos. Saúde suplementar no Brasil: o papel da Agência Nacional de Saúde Suplementar na regulação do setor. Physis [online]. 2008, vol.18, n.4, pp. 767-783. ISSN 0103-7331.
Crédito da imagem: UNIMED
Crédito da imagem: UNIMED
29 janeiro 2015
Quatro centavos a mais
Hoje descobri uma publicação da ANS muito interessante: o Mapa Assistencial, que apresenta dados econômico-financeiros anuais por operadoras de planos de saúde. A edição de 2014 pode ser baixada aqui.
Um dado interessante que pode ser obtido nessa publicação:
No segundo semestre de 2012, foram realizadas 4.368.079 consultas odontológicas iniciais no setor de saúde suplementar. Por estes procedimentos as operadoras de planos desembolsaram R$ 54.339.479,34. Isto significa dizer que foi pago em média R$ 12,44 por consulta inicial.
No segundo semestre de 2013, foram realizadas 6.054.125 consultas odontológicas, resultando em uma despesa de R$75.557.788,59. Significa dizer que, passado um ano, a média do valor pago por consulta inicial foi R$ 12,48. Quatro centavos a mais. A variação do IPCA de dezembro de 2012 a dezembro de 2013 foi 5,8%. Ou seja, o valor, se reajustado por esse índice, seria R$13,16. Que continua sendo muito baixo.
Só para lembrar, em 2013, a Odontologia suplementar ultrapassou o marco de 20 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Um dado interessante que pode ser obtido nessa publicação:
No segundo semestre de 2012, foram realizadas 4.368.079 consultas odontológicas iniciais no setor de saúde suplementar. Por estes procedimentos as operadoras de planos desembolsaram R$ 54.339.479,34. Isto significa dizer que foi pago em média R$ 12,44 por consulta inicial.
No segundo semestre de 2013, foram realizadas 6.054.125 consultas odontológicas, resultando em uma despesa de R$75.557.788,59. Significa dizer que, passado um ano, a média do valor pago por consulta inicial foi R$ 12,48. Quatro centavos a mais. A variação do IPCA de dezembro de 2012 a dezembro de 2013 foi 5,8%. Ou seja, o valor, se reajustado por esse índice, seria R$13,16. Que continua sendo muito baixo.
Só para lembrar, em 2013, a Odontologia suplementar ultrapassou o marco de 20 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
06 fevereiro 2013
Aumenta a concentração no setor de planos odontológicos
Eu já tinha comentado em post anterior sobre a tendência de concentração do setor de planos exclusivamente odontológicos. Na época, o que me chamou a atenção é que, mesmo os números oficiais da ANS apontando esta tendência, continuava-se falando em "mercado altamente competitivo". Ok, o índice que mede a concentração no setor econômico (Herfindahl-Hirschman Index - HHI) apontava isto, mas o movimento de concentração era evidente.
Hoje eu estava mais uma vez fazendo pesquisas na página da ANS e encontrei a última edição da Foco Saúde Suplementar - que é de dezembro de 2012. Aqui não há meias palavras: afirma-se que a concentração no segmento de operadoras exclusivamente odontológicas aumentou. O HHI, que já foi de 3,1 em 2001 e chegou a 6,1 em 2009, atingiu a marca de 10,9 em 2012. Ou seja, já está na faixa denominada "moderadamente concentrado".
(Clique para aumentar)
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23 maio 2012
Tendência de concentração no setor de Odontologia Suplementar
A defesa da tese transcorreu bem e é possível baixá-la aqui. O acúmulo de tarefas tem me impedido de atualizar o blog com mais frequência. Continuo fazendo breves comunicados no Twitter e no Google+ (não costumo usar o Facebook).
Há algumas semanas, navegando pelo site da ANS, encontrei uma informação que me chamou a atenção pela primeira vez, apesar de que já devo ter topado com ela antes. Na publicação "ANS Informação", é afirmado que:
Já o mercado de operadoras exclusivamente odontológicas apresentava-se altamente competitivo em âmbito nacional e nas Regiões Nordeste, Sudeste e Sul, e moderadamente concentrado nas Regiões Centro-Oeste e Norte.
O que não é dado destaque é que o movimento é de aumento da concentração do mercado de planos privados exclusivamente odontológicos. Vejamos:
A publicação utiliza o indicador HHI e considera que quanto maior este valor, mais concentrado é o mercado (se o HHI for 100, existe monopólio). Pois bem, em 2001 o HHI nacional era 3,7 e em 2009 era 6,1. Ou seja, embora ainda seja considerado "altamente competitivo", a tendência não é de aumento da competitividade, mas de gradual concentração.
É uma pena que só tenha tomado conhecimento desta informação após o fechamento da tese, pois nela analiso o desenvolvimento do setor de Odontologia Suplementar. Discuto a concentração do setor através de outros dados, mas este certamente teria ajudado a fortalecer a argumentação.
Em tempo:
Amanhã estarei no I Congresso de Odontologia do Semiário Bahiano, na mesa A Politização do Cirurgião-Dentista como Estratégia de Mercado.
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