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11 maio 2015

Busca de artigos? Faça com que os artigos venham até você

Quem iria imaginar que um dia viveríamos um mundo em que um robô estaria constantemente fazendo busca de publicações científicas a partir de palavras definidas por nós e nos enviaria por e-mail sempre que fossem publicadas? Sim, isso existe e é algo muito simples de aprender. Vamos lá.


1) O primeiro passo é acessar a página do Google Acadêmico.


2) Em seguida, digitar as palavras com as quais você deseja fazer a busca de artigos, teses e dissertações. Valem as mesmas regras para a busca tradicional do Google: expressões entre aspas resultam na busca daquela combinação exata de palavras:



3) O resultado é tudo o que o Google encontra com aquelas palavras que já tenha sido publicado até aquele momento. Só que não queremos apenas isso. Queremos receber, daqui pra frente, tudo o que for produzido com aqueles termos. Para isso, devemos clicar em "Criar alerta".



4) Na tela seguinte, além de definir as palavras da busca, você deve digitar o email para o qual as publicações devem ser enviadas.



5) Você vai começar a receber os artigos regularmente. Assim:


6) É importante salientar que nem sempre você receberá algo de seu interesse. As palavras podem até constar na publicação e o tema central ser outro. Mas não é algo sensacional?



7) A qualquer momento você pode cancelar o Alerta, clicando no link do final do e-mail. Pode também alterar a combinação de palavras.

Essa é uma ferramenta simples e utilíssima. Obviamente, não vai jamais substituir o seu senso crítico para julgar o que é relevante e o que não é. O que faz sentido e o que deve ser desprezado. Até onde eu sei, o Google ainda não desenvolveu nada para isso.



29 janeiro 2015

Quatro centavos a mais

Hoje descobri uma publicação da ANS muito interessante: o Mapa Assistencial, que apresenta dados econômico-financeiros anuais por operadoras de planos de saúde. A edição de 2014 pode ser baixada aqui.

Um dado interessante que pode ser obtido nessa publicação:

No segundo semestre de 2012, foram realizadas 4.368.079 consultas odontológicas iniciais no setor de saúde suplementar. Por estes procedimentos as operadoras de planos desembolsaram R$ 54.339.479,34. Isto significa dizer que foi pago em média R$ 12,44 por consulta inicial.

No segundo semestre de 2013, foram realizadas 6.054.125 consultas odontológicas, resultando em uma despesa de R$75.557.788,59. Significa dizer que, passado um ano, a média do valor pago por consulta inicial foi R$ 12,48. Quatro centavos a mais. A variação do IPCA de dezembro de 2012 a dezembro de 2013 foi 5,8%. Ou seja, o valor, se reajustado por esse índice, seria R$13,16. Que continua sendo muito baixo.

Só para lembrar, em 2013, a Odontologia suplementar ultrapassou o  marco de 20 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos. Um aumento de 7% em relação ao ano anterior.



28 maio 2014

Dentistas colocando aparelhos de enfeite: enfim a desprofissionalização da Odontologia?


Imagem: G1


Existe um artigo muito bom de Carlo Henrique Goretti Zanetti , José Antônio Abreu de Oliveira e Maria Helena Magalhães de Mendonça sobre a divisão do trabalho odontológico. Na época, quando José Antônio pediu minha opinião, palpitei, dentre outras coisas, que ainda não era o momento para usar o conceito de desprofissionalização da Odontologia. Talvez hoje tenha chegado a hora.

Retiro uma citação do artigo:

Nessa odontologia se conforma, inflacionada, uma legião de CDs praticantes que milita numa zona de exercício profissional que, por sua nebulosa intransparência (quanto às suas perspectivas futuras) e na falta de nome melhor, podemos denominar de zona cinzenta da desprofissionalização. Nessa zona, não há cooperação, só competição, inclusive competição interprofissional direta entre dentistas e técnicos de saúde bucal. (ZANETTI; OLIVEIRA; MENDONCA, 2012, p. 210)

Pois foi esse artigo que me veio à mente quando assisti à reportagem que demonstrava que dentistas formados também estão instalando “aparelhos de enfeite”, para poder concorrer com camelôs. Cliquem aqui e vejam a reportagem na íntegra, pois a transcrição não está em sua totalidade.

Ok, Zé, você estava certo!

06 fevereiro 2013

Aumenta a concentração no setor de planos odontológicos


Eu já tinha comentado em post anterior sobre a tendência de concentração do setor de planos exclusivamente odontológicos. Na época, o que me chamou a atenção é que, mesmo os números oficiais da ANS apontando esta tendência, continuava-se falando em "mercado altamente competitivo". Ok, o índice que mede a concentração no setor econômico (Herfindahl-Hirschman Index - HHI) apontava isto, mas o movimento de concentração era evidente.

Hoje eu estava mais uma vez fazendo pesquisas na página da ANS e encontrei a última edição da Foco Saúde Suplementar -  que é de dezembro de 2012. Aqui não há meias palavras: afirma-se que a concentração no segmento de operadoras exclusivamente odontológicas aumentou. O HHI, que já foi de 3,1 em 2001 e chegou a 6,1 em 2009, atingiu a marca de 10,9 em 2012. Ou seja, já está na faixa denominada "moderadamente concentrado".

(Clique para aumentar)


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28 janeiro 2010

Qual a proporção dentista : habitantes recomendada pela OMS?

Acredito que todos os dentistas já devem alguma vez ter ouvido a frase "a OMS recomenda a proporção de 1 dentista para cada 1.500 habitantes". Mas o que ela quer dizer com isso? Que se a proporção 1:9.000 é ruim, então a proporção 1: 167 é boa? Não faz muito sentido.

Paulo Capel Narvai escreveu um artigo para o Jornal do Site dizendo que este dado seria uma lenda. Uma espécie de hoax que teria se iniciado antes mesmo da popularização da internet. Diz ele:

"Não basta para o enfrentamento da atual política de formação de recursos humanos em saúde — aí incluídos os recursos humanos odontológicos —, a enfadonha citação de que "a Organização Mundial da Saúde recomenda 1 dentista para 1.500 habitantes." (Há variantes como 1/1.000 ou 1/2.000). Há pelo menos dois erros nisso: em primeiro lugar, a OMS não recomenda coisa alguma. Em algum momento alguém deve ter lido mal em algum lugar, citou erroneamente a OMS e, a partir daí, tem havido uma repetição mecânica e acrítica dessa proporção. Jamais encontrei a referência bibliográfica nos artigos que mencionam a tal proporção. Nos documentos da OMS, aos quais tive acesso, nunca li nada sobre o assunto. Até que algum pesquisador desvende esse mistério, pode-se concluir que trata-se de pura lenda".

Confesso que há muito tempo não tenho sossego, procurando as origens da lenda, pois encontrei publicações até de 1979 com essa informação. Até que me bateu a ideia de procurar onde a coisa começou (ou não) : a própria OMS.

Achei um comunicado da organização que esclarece a coisa toda:

"A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) não recomendam nem estabelecem taxas ideais de número de leitos por habitante a serem seguidas e cumpridas por seus países-membros. Tampouco definem e recomendam o número desejável de médicos, enfermeiros e dentistas por habitante. Não existe, ainda, orientação sobre a duração ideal das consultas médicas ou um número desejável de pacientes atendidos por hora." Grifo meu.

Então, como tudo aconteceu?

No longínquo ano de 1972 ocorreu a III Reunião Especial de Ministros de Saúde das Américas, que resultou no Plano Decenal de Saúde para as Américas. Os ministros ali reunidos combinaram a meta de alcançar "8 médicos, 2 odontólogos, 4,5 enfermeiros e 14,5 auxiliares de enfermaria para cada 10.000 habitantes". Só isso. E o valor nem corresponde à versão consagrada na literaura...

O documento é fruto de um evento da OPAS-OMS, mas não é uma resolução oficial da organização, que diria quanto dentistas deveriam existir pra cada tantos mil habitantes.

Ate porque, em 1972 a realidade era outra, não é? Bem aqui um artigo do Vitor Pinto de 1983, que não me deixa mentir.

O link para o esclarecimento da OMS é este, mas você pode ler abaixo:


Leitos por Habitante e Médicos por Habitante

Veja também este vídeo: